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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Açores - S. Miguel - 4º e último dia


12.3.2011
 
No último dia aproveitámos para conhecer melhor a cidade de Ponta Delgada.

Enquanto visitávamos uma loja de antiguidades mesmo no centro da cidade começo a ouvir ao longe um murmúrio em forma de canto. Saio da loja para ver o que se passa e apercebo-me da aproximação de umas boas dezenas de homens e rapazes na direcção da igreja Matriz de Ponta Delgada. Eram os Romeiros de S. Miguel.


Assim que termina o Carnaval dá-se início à quaresma na quarta-feira de cinzas. Desde esse dia e durante as 5 semanas seguintes até ao domingo de ramos vêm-se pelas várias estradas da ilha os chamados Romeiros de S. Miguel. São grupos de homens (apenas homens) que percorrem a ilha a caminhar e a rezar em voz alta.

Durante uma semana estes Romeiros levam consigo uma mochila apenas com o essencial, um xaile pelas costas, um lenço e um bordão feito em pinho à medida de cada um, todos carregados de simbolismo religioso.

O "procurador das almas" é o último do cortejo e recebe os pedidos de quem passa por eles na estrada, no meio vai o "contramestre" e o "lembrador das almas" e à frente a marcar o ritmo vão os guias.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Açores - S. Miguel - 3º dia

11.3.2011

Saímos do hotel com um tempo daqueles que ninguém deseja ao seu pior inimigo, muito menos quando está de férias. Para além do frio, para o qual não havia qualquer solução, o céu apresentava aquela tonalidade de cinzento a puxar para o alcatrão, do qual brotava uma chuva que podia perfeitamente ter ido para outras bandas regar couves. Nada me faria acreditar que seria possível melhorar nos próximos dias.

Metemos pés ao caminho, que é como quem diz metemos o carro na estrada e não é que esta terra conseguiu dar-me completamente a volta no que toca aos meus dotes de previsão meteorológica!? Percorríamos nós os parcos kms de auto-estrada que S. Miguel oferece na direcção este, quando passámos de um temporal a um dia de sol lindíssimo. Literalmente de um momento para o outro. Só visto mesmo.

A nossa primeira paragem foi em Vila Franca do Campo. Começámos por visitar a Ermida de Nossa da Senhora da Paz com esta linda escadaria que me fez lembrar o Bom Jesus de Braga.


Ao subir tivemos direito a esta magnifica vista sobre Vila Franca do Campo e sobre o Ilhéu de Vila Franca, uma pequena ilhota vulcânica a 500m da costa.


Daqui seguimos para a lagoa das furnas, um dos locais mais imperdiveis desta viagem. Mal estacionamos sente-se logo o ambiente vulcânico. Por entre ervas e terra há fumo e bolhas que se avistam. Deixámo-nos guiar pelo cheiro a enxofre e pelas nuvens de fumo e encontrámos este brinde da natureza.


Caldeiras naturais das furnas

Estas caldeiras estão vazias mas as que se vêm em baixo não estão. Aqui se faz o famoso cozido das furnas. Os ingredientes são colocados numa panela, que é enterrada nas caldeiras, coberta de terra e fica 6 horas a ser cozinhado pelo calor natural da actividade vulcânica.
A
o fundo avista-se a lagoa das furnas


O Pedro aproveitou a recomendação do senhor que estava a guardar as caldeiras com panelas e reservou o nosso almoço.


Estava delicioso. O cozido não é feito simplesmente a vapor, o que só por si já poderia indiciar uma maior intensidade nos sabores, o vapor é vulcânico o que dá ao cozido um sabor muito especial. Obrigatório!


Miradouro do Salto do Cavalo

Este é um dos pontos mais altos da ilha de S. Miguel. Daqui consegue ver-se a povoação das furnas em primeiro plano, de seguida a lagoa das furnas e por fim o oceano Atlântico. Umas das mais bonitas paisagens que já vi e não fosse o sol estar mesmo ali em contra-luz talvez uma das minhas melhores fotografias de paisagens.
Ribeira dos Caldeirões


No meio do nada, por entre curvas e contra curvas, encontrámos este jardim/ribeira/cascata. Uma bela surpresa.

Nordeste

Como o próprio nome indica, esta terra fica na ponta nordeste da ilha, onde tivemos a oportunidade de encontrar este sinal de trânsito tão inusitado. Daqui fizemos meia volta na direcção de Ponta Delgada.
Optámos por seguir numa estrada diferente para vermos outras paisagens e o caminho revelou-se efectivamente diferente a todos os níveis.

O luz escasseava, o caminho era de terra batida, estávamos meio perdidos e sem que no mapa conseguisse vislumbrar um fim próximo. Quando as coisas estão de tal forma mal há sempre maneira de piorar. Não é que o maldito carro começa a fazer um barulho estranho. Parecia que o escape ia a arrastar pelo chão. Ainda saímos do carro duas vezes para tentar perceber o que seria, mas os nossos vastos conhecimentos de mecânica automóvel foram insuficientes para tirar uma conclusão. Rede no telemóvel nem vê-la. Só de pensar que corria o risco de ficar a dormir naquele sítio... Nem me quero lembrar.
O barulho lá parou mas não consegui apreciar convenientemente a paisagem que era deslumbrante. Quando finalmente encontrámos uma estrada de alcatrão já era noite cerrada e bem feitas as contas demorámos 1 hora a percorrer meia dúzia de kms, embora me tivesse parecido bem mais tempo e bem menos kms. Uff!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Açores - S. Miguel - 2º dia

10.3.2011



Lagoa das Sete Cidades

Optámos por começar por conhecer a parte ocidental da Ilha e rumámos em direcção à Lagoa das Sete Cidades. Íamos com a ideia de fazer percursos pedonais mas cedo tirámos daí a ideia. Além da falta de predisposição para grandes aventuras físicas levantava-se o problema do tempo que não era muito. Aproveitámos o carro e fomos até onde ele nos levou.

Lagoa das Sete Cidades

Supostamente uma das lagoas é verde e a outra é azul. Não consegui discernir qualquer diferença na cor da água. Assim que nos aproximámos da zona baixa fez-me lembrar inclusive a água do Lock Ness de tão opaca e misteriosa. Negra portanto.
A paisagem é linda de morrer e as minhas fotos não lhe fazem grande jus mas fica a intenção.

Lagoa de S. Tiago

Nunca meia dúzia de vacas a pastar aqui e ali me pareceu tão fotogénico.


Foi-nos recomendado o restaurante da Associação Agrícola de S. Miguel entre Rabo de Peixe e Ribeira Grande e, claro está, o belo do bife de vaca. Não, não nos fartámos da carne de vaca. Estou o ano inteiro a evitar carnes escuras não é por uma escapadela aos Açores que o gato vai às filhoses. Estava simplesmente delicioso. Aquilo não era carne era manteiga ao sol e com um sabor... Recomendo vivamente!


Pouco depois, ao longo do caminho, cruzámo-nos com estes olhinhos doces... A vida está cheia de contradições. Eu sou omnívora mas se tivesse de matar para comer com certeza não o seria. Mas com toda a certeza!


Ora aqui está um aviso muito útil, não fosse eu achar que aquelas bolhas todas eram de sabão. Nunca se sabe!


Um pouco mais a cima no caminho deparámo-nos com esta bela cascata. Para a próxima vou por altura do verão. Eu estava de casaco comprido de inverno e galochas mas aquilo estava mesmo a puxar para o mergulho...


Lagoa do fogo

Antes de darmos o dia por concluído ainda passámos nesta belíssima lagoa, a lagoa do fogo. Quem venha a S. Miguel, por favor não perca, pois vale mesmo a pena. Mais uma vez esta foto fica muito aquém...
Acreditam que em poucos minutos caiu um senhor nevoeiro que não nos deixava ver um palmo à frente do nariz? Foi por pouco que não conseguíamos desfrutar desta lindíssima paisagem.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Açores - S. Miguel - 1º dia

9.3.2011


Desta vez resolvemos ir para fora cá dentro. Andámos muito indecisos quanto ao nosso destino e até fomos à BTL tirar umas ideias. Eis quando nos deparamos com o stand dos Açores e deu-nos um click. É mesmo para aqui que vamos!
Poucos dias depois estávamos a comprar uma promoção óptima da Abreu que incluía Voo, Hotel e carro (obrigatório!).

Chegados ao aeroporto de Ponta Delgada tivemos mais uma vez a sorte de nos fazerem um
upgrade, desta vez com o carro. Um Golf tdi pareceu-me muito bem.
Lá descobrimos o hotel Avenida onde ficámos instalados, deixámos as malas e fomos jantar a um restaurante bem perto. Como não podia deixar de ser começámos por experimentar a famosa carne de vaca açoriana acompanhada por uma bela garrafa de vinho também açoriana, mais propriamente do Pico, "Curral de Atlantis". O jantar foi óptimo, num espaço acolhedor e com a minha melhor companhia, o Pedro. Que mais posso querer?

Portas da cidade

Do restaurante ainda aproveitámos para dar um passeio a pé por Ponta Delgada. Uma cidade bonita mas àquela hora sem qualquer movimento. Não se vê uma mulher na rua e quando se vê alguém são grupos de homens que provavelmente foram beber a sua cervejinha depois do jantar. Não sei é onde pois não vi bares abertos. Uma cidade deserta portanto.
Depois de algumas fotos aqui e ali resolvemos recolher-nos para poder iniciar o dia seguinte o mais cedo possível. S. Miguel aguarda-nos.